A Era da transformação tecnológica. Quais são os impactos na economia?

Por Thiago Goulart – Editor do Blog Valor Educação

Os seres humanos controlam o mundo porque são capazes de cooperar melhor do que qualquer outro animal, e são capazes de cooperar tão bem porque acreditam em ficções.

Yuval Noah Harari

(“21 lições para o século 21”)

Ideias em movimento

Revendo alguns fatos e dados históricos, é perceptível o erro frequentemente cometido pelo senso comum: o de que o mundo está dividido cada vez mais entre ricos e pobres.

No livro “Factfulness”, o médico e estudioso em estatísticas Hans Rosling comprova que a maioria das pessoas não vive nem em países de baixa renda nem em países de alta renda, mas em países em renda média.

Segundo ele, essa categoria não existe em uma mentalidade dividida. Pessoas radicalizadas não enxergam o óbvio. Rosling afirma que “juntando-se países de alta e média renda, temos 91% da humanidade, tendo sido integrados ao mercado global e feito grande avanço rumo a condições de vida decentes”.

O avanço econômico mais importante dos últimos 50 anos é o crescente aumento da renda em um grupo significativo de países pobres.

Os principais mecanismos de crescimento têm sido o comércio internacional e a queda drástica no custo das ideias em movimento, ou seja, tecnologia e produção.

Digitalização dos negócios

Dito isso, em uma economia cada vez mais digitalizada, em que uma parcela crescente de serviços é fornecida a um custo marginal zero, a criação e a apropriação de valor concentram-se em centros de inovação onde são feitos os investimentos em intangíveis.

A transformação digital é uma jornada gradual e contínua: experimentar, aprender e expandir. Não há um caminho único a percorrer para ter êxito na incorporação da tecnologia digital nos negócios.

É, nesse sentido, que muitas empresas vêm optando por criar estruturas de inovação semelhantes às de startups, em que a dinâmica de tentativa e erro é a tônica do negócio. Ou seja, o erro não é punido, mas visto como uma forma de atingir melhores resultados, por meio da experiência acumulada.

Mais de 70% das iniciativas de transformação digital no mundo fracassam. A lição é a de que não há caminho único para ter sucesso na empreitada, mas uma coisa parece certa: a adoção de tecnologias digitais não pode ser um fim em si mesmo e só faz sentido se está alinhada com a estratégia de negócios da empresa.

A Quarta Revolução e o Brasil

Hoje, encontramo-nos na Quarta Revolução Industrial. O ser humano não costuma se acomodar. E por quê?

O famigerado escritor Yuval Noah Harari, autor do best-seller “21 lições para o século 21”, comenta em seu livro que “os seres humanos controlam o mundo porque são capazes de cooperar melhor do que qualquer outro animal, e são capazes de cooperar tão bem porque acreditam em ficções”.

Este ambiente soa pertinaz aos avanços tecnológicos disponíveis, permitindo a fusão dos mundos físico, digital e biológico. Aliás, isto é a chamada Quarta Revolução Industrial.

Por uma questão de sobrevivência ou para não perder a competitividade, grandes companhias ou empresas que estão inseridas em contexto internacional têm sido forçadas a fazer a transição para a Quarta Revolução Industrial.

A Indústria 4.0, por exemplo, nome que se dá à revolução que está em curso, é transversal a todas as atividades econômicas. E o Brasil não foge a isso.

Por aqui, temos ilhas de excelência em um mar de relativa obsolescência. É preciso costurar ações de empresas avançadas com o restante do tecido produtivo e com outros setores.

Esse é um dos principais gargalos no Brasil. Estamos na 66ª posição no índice Global de Inovação, que avalia indicadores como produtividade, educação e exportações de produtos de alta tecnologia. O país está atrás das principais economias emergentes.

É bom trazer alguns dados: o Brasil investe apenas 1,27% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, enquanto a média dos países da OCDE é de 2%. A Coreia do Sul destina 4,3%, Israel, 4,2% e Japão 3,4%.

O cenário tem exigido atenção, já que a produção industrial no mundo cresceu 10% de janeiro de 2014 a junho de 2019, enquanto a atividade brasileira recuou 15%. A queda das exportações para a Argentina, a greve dos caminhoneiros – maio de 2018 – e o rompimento das barragens de rejeitos em Minas Gerais são alguns fatores que prejudicaram o desempenho do país.

A indústria brasileira corre o risco, inclusive, de deixar o ranking das dez maiores do planeta se nada for feito.

Por outro lado, a redução de custos industriais no país será de, no mínimo, 73 bilhões de reais por ano, neste período de migração para a Quarta Revolução, segundo pesquisa realizada pela Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Conclusão

É razoável esperar que com o tempo, a maior parte dos benefícios das tecnologias digitais não caiba na dimensão do bem-estar material quantificável. Isso não significa ignorar ou minimizar os desafios que devem ser confrontados nessa esfera.

Entretanto, uma abordagem sábia desses recursos disponíveis deverá refletir o necessário reequilíbrio entre benefícios, custos, riscos e vulnerabilidades da era digital.

As fronteiras da transformação tecnológica são muitas e os desafios são imensos. Contudo, as oportunidades também o são.

Você está preparado para enfrentá-los?

Até semana que vem!

Thiago Goulart

Editor do Blog Valor Educação

Professor e jornalista pela PUC-SP com ênfase em economia, tendo atuado como repórter político na Câmara Municipal de São Paulo.

e-mail: tgoulart@valorinvestimentos.com.br

 

 

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