Ainda dá tempo de entrar na bolsa? (Parte 2)

Por Romero Oliveira – Especialista em Renda Variável

 

No artigo da semana passada, trouxe um pouco da perspectiva para a bolsa do ponto de vista de múltiplos. Hoje, abordarei algumas informações acerca da possibilidade de fluxo para a bolsa nos próximos meses.

O investidor brasileiro continua aumentando sua exposição em bolsa. Somente para termos uma ideia, no final de outubro (2019), a alocação em ações do investidor doméstico alcançou 12,5%. Em agosto de 2018, esse percentual era de 8,9%. Apesar do aumento expressivo, a alocação continua abaixo da média se considerarmos o período pré-recessão (2011-2014), que era de 14%, ou seja, muito abaixo da máxima histórica de 22%, em 2007.

Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou as expectativas do mercado e cortou a Selic para 4,25%. Isso significa dizer que o cenário de juros encontra-se  no patamar mais baixo da história e se espera que o investidor local busque retorno aumentando sua exposição em ações ao longo de 2020.

Essa migração tem potencial de gerar um fluxo enorme de capital que dará sustentação para o ciclo positivo que estamos observando nos ativos de renda variável.

Por outro lado, o gringo continua tirando dinheiro da bolsa, refletindo receio com menor crescimento global e trade war. Aliás, outro ponto a se considerar é que a economia americana continuar mostrando tração.

Ponha-se no lugar do investidor global: por que tomar risco no Brasil, país tomado por incertezas institucionais e que continua com uma longa agenda de reformas para serem feitas se as empresas americanas continuam entregando resultados acima das expectativas em um mercado consolidado?

Um crescimento econômico mais forte poderia finalmente direcionar os fluxos estrangeiros para o Brasil. Contudo, em relação a situação dos mercados globais, será importante definir se os estrangeiros terão apetite para se expor em mercados emergentes.

Portanto, nesse cenário ambíguo, onde o gringo reduz exposição e os brasileiros compram bolsa, me pergunto por que o investidor brasileiro ainda mantém quase 100% do seu patrimônio alocado no Brasil?

As perspectivas para bolsa são positivas e a tendência é clara. Entretanto, ainda não somos uma ilha e diversificação geográfica é crucial como forma de proteção. Semana que vem vou analisar o porquê você deveria ter parte do seu patrimônio fora do Brasil.

Até a próxima quinta!

Romero Oliveira

 Especialista em Renda Variável

 Engenheiro, pós-graduado em Estratégias Financeiras, especialista da mesa de Renda Variável da Valor Investimentos.

e-mail: roliveira@valorinvestimentos.com

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