Entenda o que é alavancagem na bolsa de valores e como funciona essa técnica

Alavancagem: o termo não é dos mais bonitos, mas você provavelmente já esbarrou com ele, principalmente se estava pesquisando sobre estratégias de como investir na bolsa de valores.

E se até agora suas leituras não deixaram claro como funciona esse tipo de operação, não se preocupe. Neste texto vamos explicá-la em detalhes, destacando principalmente a alavancagem na bolsa de valores, sem, é claro, ignorar os riscos e quais os possíveis benefícios dessa prática. Preparado? Então prossiga e boa leitura!

O que é alavancagem?

Para compreender a alavancagem, vamos pensar no mecanismo de funcionamento de uma alavanca, sem considerar o dinheiro ou qualquer forma de investimento. Sim, estamos falando de uma alavanca comum, de madeira ou qualquer outro material, que pode ser utilizada para otimizar a força aplicada na movimentação de outro objeto. Dessa forma, com a utilização correta de uma alavanca é possível levantar muito mais peso do que usando apenas as mãos. Muito inteligente, não?

Agora, quando transportamos a ideia de como funciona uma alavanca e o conceito de alavancagem para as finanças, damos a entender de que ela é uma estratégia para investir com mais dinheiro do que realmente se tem.

Isso funciona como uma espécie de limite de crédito, utilizado para fazer os investimentos desejados em movimentos de mercado muito rápidos (às vezes em questão de minutos), com o dinheiro sendo devolvido em seguida, ficando apenas com a rentabilidade obtida. Com isso, é possível obter ganhos maiores mesmo com quantias menores, embora haja riscos nessa opção, como destacaremos à frente.

Como ela funciona na bolsa de valores?

Sua característica faz da alavancagem algo muito comum na bolsa de valores. Funciona da seguinte forma: de acordo com sua corretora e com o dinheiro disponível na sua conta, é liberado um limite para operações de alavancagem. Vamos supor que você tenha R$ 5 mil em mãos e sua corretora permita alavancagem de até 6 vezes esse valor (número que pode ser maior ou menor, dependendo das circunstâncias).

Nesse cenário, seria possível investir com até R$ 30 mil reais. No entanto, na alavancagem o investidor só paga a diferença em caso de perdas e recebe em caso de ganhos. Seguindo com nosso exemplo, se essa operação de alavancagem render 1%, o investidor consegue R$ 300. Se o resultado for negativo nesse mesmo 1%, quem aplicou precisará pagar a diferença causada pela perda.

Normalmente, para liberar tais limites para alavancagem, as corretoras exigem uma garantia, que indique que caso o prejuízo aconteça e seja muito grande, o investidor tenha capacidade de honrá-lo. As formas mais comuns de apresentar tais garantias são em dinheiro ou por meio de outros ativos, como títulos públicos do Tesouro Direto e certificados de depósito bancário, conhecidos como CBD’s.

Quais são os principais tipos de alavancagem?

Ainda que seja utilizada quase sempre em operações na bolsa de valores, nem toda alavancagem é igual. Para facilitar tal diferenciação, listamos as formas mais comuns de investir utilizando essa estratégia.

Day Trade

O Day Trade é provavelmente a forma de investir alavancado mais utilizada. Ela funciona com base nas pequenas variações nos preços das ações, que devido à dinâmica do mercado, podem mudar de valor em poucas horas ou até mesmo minutos. Dessa forma, por meio da compra e da venda dos títulos, é possível obter retornos com a alavancagem.

Para lucrar com o Day Trade, os investidores focam em dezenas (ou mesmo centenas) de operações, para que o lucro seja obtido por meio da soma do montante do retorno alcançado em todas elas, ainda que eles sejam pequenos se considerados separadamente.

É normal que muitos investidores concentrem seus esforços apenas nesse tipo de operação. Assim eles acabam recebendo o nome de traders, por operarem na bolsa somente com esses movimentos de curtíssimo prazo.

Mercado Futuro

A alavancagem no mercado futuro também é muito utilizada na bolsa de valores, mas ela não envolve a utilização de ações e sim de contratos, que podem ser de moedas estrangeiras, ouro ou commodities (como café, milho, soja e petróleo). Como o próprio nome diz, a rentabilidade do mercado futuro vem das oscilações do preço dos ativos vinculados ao contrato não hoje, mas em uma data mais à frente no calendário.

Vamos supor que você compre um pacote de contratos de moeda estrangeira que permitam a compra desse ativo daqui a um mês por um determinado preço. Se quando esse dia chegar, o preço estiver acima do que o estipulado no contrato, você ganha com a diferença. Caso contrário, haverá perdas e a garantia entregue no momento da alavancagem será executada para cobrir essa diferença.

Normalmente, na alavancagem feita no mercado futuro são permitidos limites muito maiores do que quando essa operação é realizada com base em ações. Do mesmo modo, quanto maior o tamanho dessa alavancagem, maiores os riscos.

Alavancagem a descoberto

Esse tipo de alavancagem também é conhecido como aluguel de ações ou como short selling. Nessas operações, a intenção é lucrar com a queda da cotação de um ativo mesmo sem tê-lo e fazer a recompra depois que o preço cair.

Para isso, é necessário alugar a ação junto a um investidor que esteja interessado em fazer isso e depois de recomprá-la, devolver ao dono. Isso é comum em operações que durem mais de um dia.

Quais são os riscos da alavancagem? E os benefícios?

O grande risco da alavancagem pode ser resumido numa frase já bastante velha: “dar um passo maior que a perna”. Resultados ruins podem comprometer boa parte do dinheiro investido e ainda gerar dívidas ao investir.

Por isso, investir alavancado exige maior conhecimento sobre o mercado, uma série de estratégias bem definidas e uma análise baseada em dados sólidos sobre o ativo no qual se pretende fazer tais operações. Contar com a ajuda de profissionais especializados também é uma alternativa a ser considerada, sempre.

Com isso, a alavancagem na bolsa de valores pode ser interessante para quem busca chances de retornos melhores, nunca se esquecendo dos riscos que essa forma de atuar embute para o investidor.

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