Em 2019 as SmallCaps reinaram na bolsa, isto se repetirá em 2020?

Por Andre Motta – Especialista em Investimentos

2019 foi o ano delas: as empresas de menor capitalização da bolsa. Eu particularmente sempre gostei de negociar smallcaps. Como sou pequeno investidor e liquidez não é um problema para mim, com as smallcaps, entendo encontrar as maiores oportunidades e potencial de valorização. Afinal, é muito mais fácil uma companhia como o Banco Pan dobrar de tamanho do que o Banco Itaú, por exemplo.

A maioria das empresas listadas e ligadas à economia doméstica é considerada smallcaps, pois possuem valor de mercado entre R$ 300 milhões de R$ 2 bilhões. Ou seja, bem menor do que nossas bluechips – Vale, Petrobras, Ambev, Itaú, Bradesco etc.

Olhando os fundamentos do ano passado, realmente encontrávamos melhores perspectivas no mercado interno. Também não é novidade que o investidor estrangeiro ainda não veio para nossa bolsa. Grande parte do fluxo que gerou a alta recente foi resultado da migração de recursos da renda fixa para renda variável, a pessoa física comum, como eu e você, é quem está fazendo preço muitas vezes.

 

Liquidez não é problema

Como a liquidez não tem sido problema, muitos de nossos fundos de ações não têm patrimônio tão grande como o dos estrangeiros e, no caso, dos investidores individuais ela raramente é um fator relevante.

As smallcaps encontraram, assim, um bom ambiente para prosperar. A maioria dos investidores locais mantém o foco no que se passa aqui. Além disso, não é difícil concluir que a melhora na economia deve levar a lucros crescentes em companhias mais sensíveis à recuperação do nosso PIB. Ou seja, todos só querem saber de empresas de varejo, construção, educacionais e, em segundo plano, ficam nossas gigantes não sem motivo:

  1. O preço do petróleo não se encontra tão elevado;
  2. A Vale tem seus problemas ambientais;
  3. A Ambev parece ter esgotado seu modelo vencedor;
  4. E os bancos sofrem com a perspectiva de maior concorrência, com a digitalização e ativismo do BC.

Nesse sentido, porém não podemos desprezar que, hoje, o preço de suas ações já contemplam tudo isto.

Pergunta-chave: este cenário continuará em 2020?

A pergunta que faço é a do intertítulo.

Recentemente gestores importantes chamaram atenção para o que consideram “bolha” na B3. Eu particularmente não vejo bolha nenhuma, vejo empresas “caras” o que é natural.

Uma hora seus preços devem corrigir. E quem são estas companhias fora do preço e que não param de subir? São, em geral, as smallcaps.

Até onde o fluxo sustentará a alta sem um  crescimento de lucros que a suporte eu não sei. Pode ser que até eu esteja errado e tenhamos surpresas muito positivas nas próximas temporadas de resultados, fundamentando os preços atuais. No entanto, creio que as probabilidades, hoje, não sejam tão favoráveis para que isto se verifique.

Não quero também generalizar e dizer que todas as smallcaps estão neste bolo. Ainda há empresas menores que parecem negociar a preços atrativos. A correção das últimas semanas, por exemplo, já ajudou, mas ainda é preciso garimpar. Isto me faz pensar…

 

Inversão no ciclo nos próximos meses?

Será que não teremos uma inversão no ciclo nos próximos meses, com o fluxo migrando aos poucos das smallcaps para as bluechips? Há boa chance de isto ocorrer, principalmente se o diferencial de crescimento entre Brasil e Estados Unidos virar, ou seja, eles desacelerarem e nós crescermos mais.

Isto certamente fará o investidor estrangeiro prestar mais atenção em nossa retomada. E quando o investidor estrangeiro vem, ele entra pelas empresas grandes e mais líquidas.

Logo, vale começar a dar mais atenção às relegadas: Petrobras, Vale, Itau, Bradesco, Ambev etc. Ao longo deste ano o fluxo pode mudar.

Ou não.

Podemos realmente ver uma bolha se formar, inflada por pessoas físicas, estimuladas pelo efeito manada de comprar “o que sempre sobe”, ou seja, não importa muito se a empresa está entregando crescimento de lucros, importa que é preciso comprar para não ficar para trás, independente do preço.

E, assim, algumas smallcaps seguirão bem por mais um tempo. Entretanto, atualmente o preço e o balanço de riscos talvez joguem mais a favor das grandes da bolsa, que seriam as responsáveis por levar o Ibovespa aos 130.000 pontos projetados pelas casas de análise para o fim deste ano.

Andre Motta

Especialista em investimentos

>> Engenheiro, pós-graduado em Finanças, com Mestrado em Administração, aprovado nos exames da ANCORD, APIMEC (CNPI-T) e ANBIMA (CPA-20).

e-mail: andre.motta@valorinvestimentos.com.br

 

 

 

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