Entrevista com Giuliano Nader – “Temos procurado dar garantias para que os diversos setores econômicos consigam ter o maior desenvolvimento possível”

No Palácio da Fonte Grande, no centro de Vitória, o subsecretário da Casa Civil, Giuliano Nader recebeu nossa equipe para conversar sobre os desafios enfrentados pelo governo estadual, a retomada do desenvolvimento e o ambiente de negócios no estado.

Valor – O Espírito Santo está em 4º lugar no Ranking de Eficiência dos Estados, pesquisa produzida pela Folha de SP (https://temas.folha.uol.com.br/reef/reportagens-e-analises/ranking-folha-mostra-quais-estados-fazem-mais-com-menos.shtml) cujo cumprimento de funções básicas a respeito da eficiência na gestão financeira é levado em conta. É possível afirmar que o Espírito Santo, apesar de todas as adversidades dos últimos anos, possui um ambiente de negócios sadio?

Giuliano Nader – O Espírito Santo retomou o seu crescimento. Ficou claro, se levarmos em consideração o 2º semestre de 2017, que houve um reaquecimento da economia. Isso não significa que está tudo resolvido. É fundamental saber o que vai acontecer no ambiente de negócio. É preciso ter um mínimo de segurança e previsibilidade para elevar o nível de investimentos.

A crise econômica brasileira não é somente uma crise financeira, mas de credibilidade. É preciso que não mudemos as regras no meio da uma partida e, nesse sentido, o Espírito Santo tentou blindar as possíveis quebras de contrato e fornecer aos investidores segurança jurídica. Conquistamos um ambiente de negócios sadio. É bom frisar que o dia em que o Brasil se libertar das corporações, muita coisa vai desabrochar, podendo corresponder aos anseios da sociedade em geral e não de grupos a, b ou c.

Valor – A economia capixaba registrou crescimento superior à média do país e o Produto interno Bruto (PIB) do Espírito Santo teve alta de 1,8% no segundo trimestre desse ano. Nesse mesmo período, o PIB nacional cresceu 0,2%. Quais elementos o senhor destacaria para a retomada de crescimento do Espírito Santo?

Giuliano Nader – Temos procurado dar garantias para que os diversos setores econômicos consigam ter o maior desenvolvimento possível. Hoje, o Espírito Santo tem um potencial enorme na exploração de petróleo, sem falar na indústria de óleo e gás, já que as condições que existem aqui, nos favorecem naturalmente.

Com essa nova política de petróleo sobre o repasse dos royalties, nossa previsão de investimento era de R$ 1 bilhão. É preciso pontuar que nós conseguimos acrescentar mais R$ 3 milhões para investimentos, o que contribui para esse desenvolvimento. Temos outros exemplos, como o Fundo de Desenvolvimento Econômico do Sul do Estado do Espírito Santo (Fundesul) e o Fundo de Desenvolvimento e Participações do Espírito Santo (Fundepar).

A gente acredita que o estado tende a nortear esses projetos, oferecendo condições atrativas para que as empresas se desenvolvam de forma autônoma. Criar as condições de infraestrutura, serviços básicos, logística são cada vez mais preponderantes na lógica de desenvolvimento.

Percebo que esta é uma das funções do governo, ou seja, criar as condições básicas e necessárias ao desenvolvimento a exemplo da ferrovia, duplicação das rodovias, a construção do Porto Central, melhorar os acessos, garantindo que cada setor produtivo se desenvolva de forma eficiente.

Valor – Como podemos consolidar a expertise natural do Espírito Santo no que tange a uma economia inovadora em que o governo e o setor privado convirjam rumo ao desenvolvimento de suas potencialidades?  

Giuliano Nader – Acredito que por meio da educação. Fizemos algumas parcerias em investimentos que mudassem o pensamento da escola de 2º grau. Essa mudança foi consolidada por meio da Escola Viva que está inteiramente conectada com o que a educação do futuro prega. Este caso é salutar para o nosso governo, pois explora-se uma diversidade de ações que desenvolvem as potencialidades, além de preparar melhor o jovem mais vulnerável. Queremos atraí-lo e desenvolvê-lo para o futuro.

Valor – Qual é a forma de dar um salto de qualidade no Brasil?

Giuliano Nader – Somente por meio da educação. Usamos um exemplo muito claro disso. Se voltarmos 60 anos e compararmos o que fizemos educacionalmente com o que a Coreia do Sul fez, podemos chegar à seguinte conclusão: éramos mais desenvolvidos que a Coreia, mas a prioridade em educação sempre foi relegada à margem. A prioridade em educação foi fator fundamental para a consolidação econômica e tecnológica da sociedade sul coreana. Podemos citar o nível de mão de obra qualificada, a execução de bons serviços, transparência e decência.

Por isso acreditamos tanto na educação, já que ela fornece os elementos essenciais para igualdade de oportunidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *