Filosofia, investidores e bolsa

Por Thiago Goulart – Editor do blog Valor Educação

A filosofia pode nos ajudar, como investidores, a discernir nossas emoções das atitudes que devem ser racionais em momentos adversos. A máxima a seguir nos dá pistas da forma como podemos agir de maneira a evitarmos atitudes ruins: Conhece-te a ti mesmo.

A frase é atribuída ao filósofo grego Sócrates (479-399 a.C.). Para o pensador, conhecer-se é o ponto de partida para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz.

A frase, inscrita no pátio do templo de Apolo – deus do Sol –, na cidade grega de Delfos, tem como um dos objetivos o conhecimento do presente e do futuro.

Isso é representativo e simbólico se fizermos uma comparação prática com os investidores e as tensões do mercado nos últimos dias.

Investidores e Bolsa

Diante da turbulência ocorrida nas bolsas mundiais, começando mais especificamente no Brasil pós-carnaval, perceberemos que ainda falta um longo caminho para que os atuais investidores se autoconheçam face às quedas e subidas comumente ocorridas.

Na segunda (9/3), por exemplo, o Ibovespa chegou aos 86.067 pontos, recuando 12,17% (veja o gráfico abaixo). Este foi o pior resultado do índice desde 10 de setembro de 1998, quando o Brasil sofreu os efeitos da moratória – atraso ou suspensão, geralmente de um pagamento – da Rússia.

Índice Bovespa / Fonte: Google

Pode-se observar no gráfico que a queda foi forte. Por outro lado, desde o início de 2019 o Ibovespa vem atingindo recordes históricos, aproximando-se mais recentemente dos 120.000 pontos.

Entretanto, é compreensível, no Brasil, o pânico gerado pelos dois assuntos catalizadores desse efeito – Covid-19 e Petróleo –, uma vez que os investidores por aqui são eminentemente iniciantes.

Prova disso, é que saímos de pouco mais de 800 mil investidores cadastrados ao fim de 2018 para mais de 1,9 milhão ao fim de fevereiro desse ano (veja o gráfico).

Fonte: B3 e XP

Para quem investe em ações há algum tempo, tornou-se um clichê mencionar que os ruídos geradores de pânico são comuns na bolsa e isto deve ser visto como uma oportunidade.

Isso aponta para o fato de que muitos dos que entraram, vivenciaram o bull market de 2019 até fins de fevereiro. E no mercado acionário, as coisas não funcionam assim.

A tomada de decisão nos investimentos

Na semana passada escrevi uma coluna (Investir é tomar decisão), trazendo alguns aspectos que devemos conhecer para, gradualmente, termos mais autoconhecimento de nossas ações.

Assim, uma pessoa que não tenha clareza em relação:

. aos seus objetivos;

. dificuldade em lidar com escolhas;

. e aversão a perdas de curto prazo;

Tende a cair na inércia e a não tomar decisões importantes.

O resultado disso será a postergação do início de várias ações e decisões pessoais que poderiam contribuir para o cumprimento de uma meta principal. Isto é a definição de procrastinação.

Fatos como o ocorrido na bolsa esta semana, não podem e não devem ser deletados da memória, pois nos servem de constante aprendizado para tomarmos decisões mais ponderáveis e cautelosas.

Um exemplo clássico de como este viés comportamental afeta as decisões é a vontade quase desesperada em vender ativos, logo no momento de baixa. Sendo que o contrário também é verdadeiro, ou seja, comprar os ativos na alta.

Como é e sempre será mais difícil tomar decisões importantes, tendemos a nos guiarmos pelo efeito manada. Dessa forma, prepondera o status quo.

Lembre-se de que é importante observar os movimentos do mercado e dos assuntos que geram ruídos e impactam nos ativos que compõem a bolsa. Ações são ativos de longo prazo.

Conhece-te a si mesmo.

Thiago Goulart

Editor do Blog Valor Educação

Professor e jornalista pela PUC-SP com ênfase em economia, tendo atuado como repórter político na Câmara Municipal de São Paulo.

e-mail: tgoulart@valorinvestimentos.com.br

 

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