Como investir melhor diante dos cenários externo e interno

Se pudéssemos olhar para o arco que cobre os 365 dias em 2019, diríamos que muita água vai passar ao longo desse tempo. Todavia, é possível vislumbrar, diante das possibilidades de investimentos que já estão em voga, dois grandes fatores que se impõem à caminhada econômica nacional: o cenário externo e o cenário interno.

1. Cenário externo

Quatro pontos devem ser ressaltados quando olhamos para o estrangeiro:

  1. Normalização das políticas monetárias de países desenvolvidos;
  2. Fim de uma década de liquidez dos bancos centrais;
  3. Desaceleração do crescimento chinês intensificada pela guerra comercial com os EUA;
  4. Incertezas políticas no Reino Unido e na Zona do Euro.

É preciso estar alerta, já que esses elementos adicionam risco ao crescimento global.

2. Cenário interno

Neste caso, e por mais paradoxal que isso possa parecer face às tensões globais, o ambiente doméstico é favorável para mudanças categóricas do statu quo econômico-político. Aqui, sete pontos podem ser observados quando olhamos para o nosso próprio umbigo:

  1. Reorientação da política econômica do novo governo;
  2. Selic na mínima histórica;
  3. Inflação sob controle;
  4. Alta capacidade ociosa nas empresas, possibilitando que haja crescimento sem gerar pressão inflacionária;
  5. Mercado de trabalho começando a apresentar melhora;
  6. Recuperação do canal de crédito;
  7. Balanço das famílias e empresas mais estáveis.

É sempre bom lembrar que esses sete pontos precisam ser costurados a fim de construir o tecido da recuperação cíclica econômica.

Investir melhor

A partir do olhar externo e interno, o ponto chave dos atuais investimentos é a diversificação e a otimização de ativos da carteira. Exemplos práticos: o custo de oportunidade menor com o CDI mais baixo exigirá gestão ativa e timing.

Além disso, Fundos Multimercados que alocam em diversas classes de ativos como juros, moedas e bolsas no Brasil e no exterior apresentam maior potencial de drawdown por possuírem carteiras mais flexíveis.

Apesar dos riscos embutidos, o cenário de recuperação econômica e as perspectivas de condução da agenda de reformas deve continuar favorecendo a alocação em Renda Variável. Nesse sentido, há boas oportunidades na bolsa e em alguns setores, principalmente os ligados a crescimento doméstico. Apesar da modesta expansão do PIB, empresas que passaram pela crise reduziram o endividamento e se tornaram mais eficientes.

Apesar das assimetrias do cenário externo em comparação ao cenário doméstico, setores que se beneficiam da alta do dólar, como papel e celulose e exportadores em geral, podem servir como hedge em cenário de stress.

Após anos de queda, o mercado de imóveis vem se recuperando e a demanda, em especial, os Fundos Imobiliários também podem se destacar como boas opções. Esses produtos apresentam a vantagem de ter rendimentos isentos de Imposto de Renda (IR) para pessoa física. Observando o horizonte de longo prazo é válido considerar as vantagens fiscais da Previdência privada.

Já para a parcela de investimentos mais conservadores, a seleção de ativos se tornou mais desafiadora com o novo patamar dos juros. Assim, títulos prefixados e papéis atrelados à inflação ainda oferecem um bom rendimento e protegem a carteira em cenário de piora.

Já os Fundos de Renda Fixa com alta liquidez e baixo risco devem compor a reserva de emergência. Para o investidor que deseja correr um pouco mais de risco, produtos que aplicam em Debêntures Incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Agronegócio (CRA) também trazem vantagem da isenção de IR.

Por fim, diante da possibilidade de termos juro real em patamares baixos por um período prolongado, será necessário tomar mais risco para rentabilizar o patrimônio. É sempre bom lembrar o fato de que contar com gestores e assessores capacitados para a seleção profissional dos ativos é fundamental.

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