Leilão da bolsa: você sabe como funciona?

Em seu regulamento, a bolsa de valores prevê a existência de alguns recursos para evitar distorções nos preços de ativos em situações específicas que possam vir a acontecer. Entre as possibilidades, há o leilão de ações.

Seu funcionamento tem características particulares. E ele é uma opção pensada para proteger ativos, investidores e o próprio mercado.

Para que você não tenha dúvida ao se deparar com essa alternativa, veja tudo sobre a modalidade e tire as suas dúvidas sobre o leilão da bolsa a seguir!

O que é o leilão na bolsa?

No âmbito da bolsa de valores, o leilão de ações é caracterizado pela retirada de ativos específicos do pregão por um determinado período. Trata-se de uma espécie de interrupção ou de um travamento temporário, com o intuito de controlar uma oscilação atípica de preços.

Em geral, o leilão é desencadeado por um destes motivos:

  • valorização ou desvalorização de 10% ou mais de uma ação no momento da abertura, em relação ao preço de fechamento do dia anterior;
  • valorização ou desvalorização de 10% ou mais de uma ação durante o pregão, quanto ao valor inicial do dia;
  • oscilação entre 10 e 20% do preço antes de entrar em leilão, como no caso em que isso acontece mais de uma vez ao dia.

Como funciona o leilão na bolsa?

Quando uma das situações citadas acontece, um gatilho é disparado para, automaticamente, consolidar a ação em leilão. Nesse cenário, a negociação normal do ativo no pregão é interrompida e passa a acontecer de outra forma.

A bolsa registra todas as ordens de compra e as ordens de venda. A negociação, então, só se concretiza quando há dois valores equivalentes. Portanto, não há propriamente uma interrupção total de compra e venda e, sim, uma mudança na maneira como as negociações são finalizadas.

Outro ponto importante sobre como funciona o leilão na bolsa é a sua duração. A retirada do papel do pregão dura apenas 5 minutos, que são prorrogáveis por outros 5 minutos. Caso seja necessário, a interrupção acontece em outros momentos ao longo do dia.

Por que as ações entram em leilão?

O principal objetivo do leilão de ações é diminuir potenciais distorções nos preços. Isso porque elas poderiam afetar investidores e impactar, até mesmo, todo o mercado.

Um exemplo prático de leilão na bolsa é o que ocorreu com as ações da Vale logo após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), em 2019. No dia, muitos investidores começaram a se desfazer dos papéis.

Para prevenir que uma queda acentuada se consolidasse, o leilão da bolsa foi acionado. Assim, o tempo de interrupção no ativo permitiu que os valores não despencassem de maneira mais brusca.

Ao falar sobre o assunto, é interessante relacionar com o efeito manada. Muitas pessoas decidem comprar ou vender um ativo apenas porque o mercado segue um fluxo forte nessa direção.

Então, o volume grande de investidores ou especuladores no mesmo movimento desequilibra os preços e pode levar a ainda mais queda. A interrupção momentânea permite, de certa forma, acalmar os ânimos no mercado e evitar impactos maiores.

Qual a diferença entre leilão e Circuit Breaker?

Quando se conhece o leilão da bolsa, é muito comum que haja a confusão com o Circuit Breaker. Embora ambos sejam mecanismos automáticos e previstos para certas situações, são diferentes em seus objetivos e funcionamento.

No caso do Circuit Breaker (CB), ocorre a interrupção de todas as negociações na bolsa. O período inicial é de 30 minutos. Ele tem o objetivo de permitir que o mercado se recupere de certas condições globais – ou locais.

Sua ativação é baseada nos seguintes gatilhos:

  • quando o índice Ibovespa cai mais de 10%, o CB é ativado pela primeira vez, por meia hora;
  • no retorno, se o Ibovespa permanecer em queda e chegar a 15%, há uma suspensão de 1 hora;
  • caso, no retorno, a queda continue e chegue a 20%, um novo tempo de suspensão das atividades é definido pela bolsa.

Então, é possível notar que o leilão na bolsa é limitado a algumas ações, enquanto o Circuit Breaker envolve todo o mercado. Assim, os objetivos e o funcionamento são diferentes entre os dois.

Quais são outros tipos de leilão existentes?

Apesar do leilão de ações ocorrer em situações atípicas, há outros leilões previstos na bolsa de valores e que acontecem diariamente. O principal objetivo deles é ajudar a compor o preço de início dos ativos e, assim, definir como será o dia do pregão.

Na sequência, veja quais são os outros tipos existentes de leilão e saiba como eles são aplicados!

Premarket

O premarket também é conhecido como leilão na bolsa de pré-abertura. Ele ocorre 15 minutos antes da abertura oficial do pregão.

Nesse momento, os investidores podem registrar ordens de compra e venda, de acordo com os interesses. Porém, elas só serão finalizadas quando o pregão realmente estiver ativo.

O período ainda inclui todas as ordens de compra e vendas recebidas no Home Broker, fora do horário de atuação do pregão. As ofertas, inclusive, servem para influenciar o preço de negociação do dia e, portanto, as variações decorrentes dele.

Se muitas pessoas quiserem comprar ou vender no premarket, por exemplo, é esperada a valorização no preço em relação ao fechamento do dia anterior. Isso pode motivar o acionamento de leilão na bolsa tão logo o pregão se inicie.

Fechamento

O leilão de fechamento, como é conhecido, ocorre nos últimos 5 minutos do pregão, antes de sua finalização no dia. Nesse caso, os investidores podem definir ordens de compra e venda apenas de ações que façam parte de um índice, como o Ibovespa.

Ele serve, por exemplo, para quem deseja marcar posição em relação ao pregão do dia seguinte. Apesar de terem características semelhantes, convém destacar que ele não é a mesma coisa que operar no after market.

No after market, a emissão de ordens acontece em até 30 minutos depois que o pregão já foi encerrado. Em comum, há o fato de que somente ações negociadas em determinados índices podem ser movimentadas.

A partir das informações que vimos, é possível ver que nem sempre o leilão é decorrente de uma oscilação atípica de preços. O premarket e o fechamento servem para organizar o ordenamento de ordens e gerar mais equilíbrio ao mercado.

Como você viu, o leilão na bolsa é um mecanismo importante que protege as empresas, os investidores e o mercado geral. Conhecendo essa ferramenta, ficará muito mais fácil entender o mercado e fazer suas operações.

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