Ler o passado para compreender o futuro: uma retrospectiva

Por Thiago Goulart

 

Muitos autores, estudiosos, economistas e grandes investidores já relataram oficialmente que o fato de ler e estudar o passado, por mais recente que seja, é muito importante para compreender o presente e também o futuro. Os sinais deixados pelo homem em suas atitudes e atos sempre nos legam uma importante aprendizagem.

É, nesse sentido, que preparamos 14 tópicos divididos em cinco eixos temáticos que julgamos serem marcantes no ano de 2019. Alguns desses fatos ainda não se concluíram plenamente, ou seja, 2020 será um importante momento para o desenrolar deles.

Confira abaixo a retrospectiva de 2019:

1. GIRO GLOBAL

Argentina

Mauricio Macri teve um desempenho decepcionante e acabou derrotado no primeiro turno nas eleições disputadas em outubro, pelo kirchnerista, Alberto Fernández. Em seu governo, a inflação disparou 240%, o PIB caiu 3,4% e o peso perdeu valor.

Chile

O presidente chileno, Sebastián Piñera, se viu forçado a iniciar os procedimentos de uma nova Assembleia Constituinte depois que os protestos tomaram conta do país. A Constituição que será mudada, data de 1980, época do ex-presidente Augusto Pinochet.

Brasil

O primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro foi agitado, mas houve progresso em suas pautas de transformação do Estado brasileiro. O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, costuraram um acordo para aprovar a reforma da Previdência. Deve avançar também a reforma Tributária e a desestatização. Com os juros em queda e a inflação baixa, o desafio do ministro, em 2020, é a retomada plena do crescimento econômico.

Reino Unido

Um dos impasses a impedir um acordo aceitável para a saída do Reino Unido da União Europeia é a fronteira que pode se formar entre a Irlanda, membro da UE, e a Irlanda do Norte. Isso acabou levando o premiê Boris Johnson a convocar eleições para 12 de dezembro. Ao vencer as eleições com ampla vantagem, Johnson terá maioria folgada no parlamento para aprovar o acordo do Brexit em 2020.

Estados Unidos vs China

A longa disputa entre os presidentes americano Donald Trump e chinês Xi Jinping teve muitos episódios em 2019. Trump chegou a ampliar tarifas já instauradas e baixar um decreto proibindo a exportação de tecnologia, ao passo que a China anunciou que reduziria seu estoque de títulos da dívida pública americana. Em outubro, Trump anunciou que os dois países estavam próximos de um entendimento. Em dezembro, a primeira etapa foi acordada, o que ajudou a melhorar o ânimo do mercado.

2. MEIO AMBIENTE

COP 25

A Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 25, teve uma história turbulenta em 2019. Programada para ocorrer no brasil em novembro, foi rejeitada pela orientação atual do governo e do Itamaraty. O Chile aceitou lhe dar abrigo, mas a intensa onda de protestos não permitiu ao país ser a sede do evento. A COP ocorreu em Madri, em dezembro, e terminou sem entregar boa parte do que prometeu. Não houve acordo, por exemplo, sobre fundo e mercado de carbono.

3. CULTURA

João Gilberto

O músico baiano, considerado o criador do estilo musical Bossa Nova, morreu no Rio, aos 88 anos. Seu estilo único de tocar ficou mundialmente conhecido a partir do disco “Chega de Saudade” (1959).

Beth Carvalho

A cantora carioca, conhecida como a “madrinha do samba”, morreu no Rio, aos 72 anos. Desde 2010, Beth Carvalho enfrentava problemas de coluna que a obrigaram a fazer apresentações deitada.

4. INDICADORES

Selic

Caindo desde novembro de 2016, a taxa básica da economia brasileira atingiu seus menores valores históricos em 2019, chegando a 4,5% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de dezembro. A baixa da Selic reflete a lentidão da recuperação econômica e a inflação abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central.

Taxa de juros

As taxas de juros estão muito baixas, indicando falta de fôlego da economia global. Em setembro, o economista americano Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos EUA, chegou a falar em termos de ‘buraco negro dos juros”. Para economistas, as baixas taxas de juros, que chegam a ser negativas em termos reais para alguns títulos alemães, americanos, japoneses e de outros países, são sinal de que a economia global está desacelerando.

Ibovespa

Até o fechamento desta newsletter, o Ibovespa chega ao fim do ano com alta de 31%. Acima dos inéditos 115 mil pontos, a Bolsa tem um dos melhores retornos dos últimos dez anos.

5. IPO

Mercado brasileiro

O mercado brasileiro viveu uma onda de lançamentos de ações em 2019. Estrearam na Bolsa empresas como a loja de departamentos C&A, a joalheria Vivara, o banco BMG, a holding Neoenergia e o grupo SBF, dono na rede Centauro. Foi o ano com terceiro maior volume negociado em lançamentos de ações, com R$ 57,6 bilhões, perdendo apenas para 2007 e 2010. O próximo ano também promete uma série de novas ofertas.

XP

O lançamento dos papéis da corretora brasileira na bolsa eletrônica americana Nasdaq superou as expectativas. Avaliada em US$ 14,89 bilhões, com ações a US$ 27, a XP terminou a dia negociada a US$ 34,46, com valorização de 27,63%. O fundador, Guilherme Benchimol, afirmou que a empresa buscará também a licença para operar como banco.

Saudi Aramco

Após quatro anos de adiamentos, o regime saudita anunciou abertura das ações da empresa petrolífera, maior do mundo em reservas conhecidas e responsável por 10% da produção mundial de petróleo. A entrada na Bolsa ocorreu em dezembro, com uma avaliação de US$ 1,7 trilhão. Em dois dias, porém, a empresa já havia se valorizado a ponto de atingir a marca dos US$ 2 trilhões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *