Lucro de morro acima

Por Pedro Lang – Economista

Um dos principais pilares da nossa tese de alocação em renda variável é o ciclo de flexibilização monetária que o Brasil está vivendo. Os juros básicos medidos pela taxa SELIC chegaram ao menor patamar histórico – 4,25%  – e trazem uma nova realidade para as empresas, alocadores e investidores individuais.

Do lado das empresas, o principal efeito é a redução da alavancagem financeira (endividamento) e do custo do dinheiro. Grande parte das dívidas contratadas por uma empresa tem como indexador (índice de correção) o CDI, ou seja, uma menor taxa de juros acaba trazendo um menor custo de dívida.

Além disso, como o endividamento é um dos itens que diminuem o lucro líquido da empresa, qualquer diminuição no custo é margem NA VEIA.

Uma imagem para resumir esse parágrafo mal escrito:

Por terem menor despesa financeira, as empresas têm espaço para apresentar maior lucro líquido. Sabendo disso, a única verdade absoluta da humanidade é: BOLSA ACOMPANHA O LUCRO DAS EMPRESAS.

ÁGUA DE MORRO ABAIXO, FOGO DE MORRO ACIMA E EMPRESA QUANDO QUER DAR LUCRO, NINGUÉM SEGURA.

Por outro lado, quando a taxa de juros de mercado diminui, os investimentos que as empresas podem fazer ficam mais atrativos e mais projetos se tornam viáveis. Esse movimento acontece, porque o estudo de viabilidade econômica consiste em trazer os benefícios futuros gerados por uma empresa ou projeto a valor presente por uma taxa de atratividade e, quanto menor os juros, menor essa taxa.

Mais um texto mal escrito, mais uma imagem que resume:

 

 

 

 

 

Apesar de ser mais confusa que meu parágrafo anterior, essa fórmula exprime exatamente o que falamos. Quanto menor a taxa de atratividade, maior o valor presente líquido do projeto e, por consequência, mais projetos são executados.

Do ponto de vista dos alocadores gostaria de falar dos fundos de pensão que, na verdade, são os caras que têm grana de verdade nesse Brasil.

Com as taxas de juros no patamar mais baixo de todos os tempos esses caras vão ter que suar a camisa para poder entregar a taxa atuarial (taxa mínima que faz com que tenham grana para pagar os benefícios no futuro).

Com suar a camisa quero dizer que vão ter que ir para bolsa, a fim de gerar retorno aos cotistas. VEM FLUXO AÍ, UMA HORA OU OUTRA.

E, por fim, os investidores individuais já estão vindo para bolsa aos pouquinhos e com eles mais fluxo de grana. O principal argumento eu deixo o BACEN explicar pra vocês com o boletim FOCUS dessa semana.

A mediana das expectativas para o IPCA para 2020 é de 3,25%.

A mediana da taxa SELIC é de 4,25%.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que os investidores médios de renda fixa irão ter rentabilidade real nula ou muito próxima de zero.

Impreterivelmente haverá inserção de renda variável nos portfólios dessas pessoas, mesmo que de maneira indireta (fundos de ação ou multimercados).

O meu ponto com tudo isso é: a bolsa no Brasil tem muitos motivos para se popularizar e ser o melhor investimento que você vai fazer em 2020.

Basta ter cabeça de longo prazo, disciplina e saber escolher boas empresas!

Até semana que vem.

 

Pedro Lang

Economista

>> Chefe da mesa de renda variável da Valor Investimentos e especialista em Valuation pela Saint Paul Escola de Negócios.

e-mail: pedro.lang@valorinvestimentos.com.br

 

 

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