Mulheres na liderança: grandes bancos recusarão IPO de empresas sem diretoras

A luta por mais mulheres na liderança de grandes negócios acabou de ganhar um apoio de peso. Alguns dos maiores  bancos responsáveis pelo IPO de empresas na bolsa de valores em todo o mundo estão ao lado da busca por maior diversidade na gestão de companhias.

O IPO significa “initial public offering” ou “oferta pública inicial” em tradução livre. Ele representa o processo de abertura de capital social na bolsa de valores para receber novos acionistas e atrair investimento para a empresa.

A oferta pública inicial de ações é coordenada por um banco de investimento, e são estas instituições que estão saindo em defesa das mulheres. Mas, no que consiste esta iniciativa dos grandes bancos e por que eles tomaram esta importante decisão?

Acompanhe mais detalhes sobre o assunto neste post!

A decisão dos grandes bancos

Como você já sabe, os bancos de investimentos são responsáveis por coordenar o IPO de companhias em todo o mundo, ajudando-as a abrir capital em bolsa e oferecer ações para investidores do mercado financeiro.

Nos Estados Unidos, alguns dos principais bancos a coordenar estes IPOs são o Goldman Sachs e o JP Morgan. Em 2019, o Goldman foi responsável pela maior parte das ofertas públicas de companhias americanas.

E foi exatamente esse banco de peso que tomou a decisão de impulsionar a diversidade – decidindo em favor de mais mulheres na liderança de grandes corporações.

Pronunciamento do Goldman Sachs

Em janeiro de 2020, a equipe do Goldman Sachs anunciou que só atuará na abertura de capital de negócios que tenham, pelo menos, um indivíduo diverso compondo sua diretoria. A diversidade pode ser representada por características de raça, gênero e outros fatores, mas o foco do banco é apoiar as mulheres.

Assim, empresas que não tenham nenhuma mulher no seu quadro de diretoria não poderão contar com o respaldo do banco Goldman Sachs em seu processo de IPO. A medida passará a valer a partir de julho de 2020 e será realizada tanto nos EUA quanto na Europa.

O anúncio foi feito pelo CEO do banco, David Solomon, e se deu durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, realizado na Suíça. O próprio Goldman Sachs dá exemplo de inserção de mulheres na equipe de liderança e pretende aumentar a presença delas no futuro.

Possíveis ampliações da medida

Em breve, as iniciativas do banco para fortalecer a atuação de mulheres na liderança também deve se estender a empresas de capital privado nas quais o banco investe. Com isso, companhias nas quais a instituição tem investimentos majoritários precisarão se adequar à exigência.

O Goldman Sachs também pretende aumentar a pressão: para o ano de 2021, provavelmente não será suficiente apenas uma pessoa diversa no conselho, mas no mínimo duas.

Por enquanto, a medida é somente do Goldman Sachs, mas a tendência esperada no mercado financeiro é que mais instituições sigam a proposta. Especialmente outro grande banco: JP Morgan, que é apoiador da causa.

Desde 2016, o JP Morgan oferece serviços de assessoria para empresas que desejam atuar de maneira mais inclusiva. O banco ajuda a encontrar candidatos representantes da diversidade para compor o conselho das companhias.

Por que recusar empresas sem mulheres na liderança?

Muitos avanços têm acontecido em toda a sociedade e no mercado de trabalho, especialmente no que se refere à inclusão. Aos poucos, as empresas têm deixado de serem representadas apenas por homens.

A expectativa é que mais pessoas representantes de minorias sociais conquistem espaços de valorização e ajudem as companhias a crescer. Afinal, a diversidade é um valor que tem sido cada vez mais relevante para o mercado consumidor.

Também é fato que as diferenças dentro de um local de trabalho permitem pluralidade de ideias e contribuem para o crescimento do negócio. A decisão do banco Goldman Sachs não se deve apenas à intuição e ao apoio às mulheres.

Ele também está se baseando em dados reais. Por exemplo, uma pesquisa recente indicou que companhias que contam com diversidade de gênero nas posições de liderança estão conquistando resultados 15% melhores do que a média.

Outras pesquisas indicam que empresas com diversidade de gênero e étnica alcançam lucratividade até 21% e 33% maior, respectivamente. Essas são informações muito relevantes para um banco que busca sucesso ao oferecer ações de grandes empresas no mercado americano e europeu, não é?

É provável que tais razões levaram David Solomon, o CEO do Goldman Sachs, a confiar na escolha do banco. Ele declarou que pode haver o risco de perder alguns clientes inicialmente, mas que a iniciativa contribuirá para o sucesso das empresas no longo prazo.

Como está a presença de mulheres no mercado financeiro?

Você viu que a defesa da diversidade de gênero é uma tendência no empreendedorismo atual, inclusive no mercado financeiro. O universo corporativo tem aberto possibilidades de aumentar seu retorno dessa forma.

Mas como está a o atual panorama das mulheres na liderança de empresas no mercado financeiro? Apesar do próprio Goldman Sachs ser um exemplo, incluindo várias pessoas do sexo feminino na equipe central do banco, o cenário ainda é desafiador.

Confira mais a seguir:

Lideranças no mercado financeiro mundial

Não há dúvidas de que o contexto do mercado financeiro é marcado pela presença de homens. O histórico das empresas do tipo é marcado por muitos indicadores de machismo.

Essa é a realidade nas empresas como um todo: a presença de mulheres, em qualquer cargo, ainda é pequena. Quando se fala em funções de liderança o fato fica mais evidente. Uma pesquisa mostrou que, de 200 empresas analisadas, 60% delas não tinham mulheres no conselho administrativo.

Entretanto, existem mudanças acontecendo há algum tempo. Em 2019, passou a existir a presença de pelo menos uma mulher no conselho administrativo de cada uma das 500 maiores companhias com capital aberto nos Estados Unidos. Apesar de ser algo bastante recente, trata-se de um avanço importante.

Mulheres na liderança no Brasil

Contar com mulheres na administração de empresas é ainda mais raro em nosso país. Em 2019, uma pesquisa mostrou que somente 7,3% das pessoas que ocupavam cargos no conselho de companhias eram do sexo feminino no Brasil.

O dado é referente a empresas do Novo Mercado — segmento da bolsa de valores que reúne negócios com os melhores níveis de gestão corporativa. Entre as demais empresas, 58% não contam com mulheres em seus conselhos administrativos.

Apesar disso, é inegável o aumento de mulheres no empreendedorismo e na gestão de companhias. E o esperado é que o número continue crescendo no país, com empresas e mulheres se espelhando em nomes femininos de sucesso em nosso mercado — por exemplo, Luiza Trajano, a fundadora do Magazine Luiza.

Esperamos ter ajudado você a entender melhor a decisão do banco Goldman Sachs e as tendências de valorização feminina no mercado financeiro atual. A expectativa é que cresça cada vez mais o reconhecimento das contribuições de mulheres na liderança de empresas.

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