Opções: derivativos no mercado financeiro

Por Davi Lelis*

O primeiro passo de um investidor é, geralmente, adquirir ações com base em seus estudos e pesquisas, alguns relatórios ou mesmo começar a partir de uma análise de quem o orienta. Após esse primeiro contato e algum tempo acompanhando o mercado, é inevitável ouvir termos como “Derivativos” ou “Opções”, mas pouca gente realmente entende o funcionamento desses ativos.

Pensando nisso, este artigo vai abordar, de maneira descomplicada, o que são, como funcionam e quais estratégias que podem ser usadas por você para alavancar ganhos ou controlar riscos utilizando opções.

Boa leitura!

A compra do anel de ouro

Imagine que você queira comprar um anel de ouro para dar de presente à sua namorada ou namorado. Esse anel custa R$ 1.000,00. Entrando na loja, você percebe que não tem o dinheiro total necessário para levar a peça e só conseguirá retornar à loja depois de uma semana.

O preço do ouro tem variado muito ao longo dos dias e o tão sonhado anel poderá estar mais caro na próxima semana quando você conseguirá retornar à loja. Aqueles R$ 1.000,00 são o preço ideal que você deseja pagar pela joia!

Você checa sua carteira, percebe que tem R$ 5,00 e decide fazer o seguinte acordo com o vendedor: “Te pago esses R$ 5,00 para ter o direito de comprar esse anel, na semana que vem, aconteça o que acontecer, pelos mesmos R$ 1.000,00 de hoje.”

O vendedor aceita o acordo, afinal, ele acredita que o preço do anel não deve variar nem um centavo até a próxima semana. Embolsa os R$ 5,00 e te entrega uma folha verde-amarela, o contrato assinado por ele que te garante o direito de comprar o anel pelo preço fixado.

É chegado o grande dia

Enfim é chegado o dia de retorno à loja! Com seu contrato verde-amarelo você se dirige à loja para realizar a transação. Três cenários podem ter acontecido.

No primeiro, você estava certo. Devido às tensões no Oriente Médio e atritos presidenciais, o preço do ouro dispara e o anel, hoje, está custando R$ 1.500,00. Rapidamente você retira o seu contrato verde-amarelo, exerce seu direito de pagar R$ 1.000,00 pelo anel e o vendedor se vê obrigado a realizar a venda.

Do ponto de vista prático, o contrato serviu como um seguro e você se resguardou da alta esperada, pagando um valor menor do que o atual. O valor total gasto foi de R$ 1005,00. Nesse momento, você se sente um gênio, já que pagou 5 reais antecipados e economizou R$ 495,00.

Em outro cenário, você pode ter errado feio na previsão. Nesse meio tempo, foi selada a paz mundial e o preço do ouro despencou. Na loja, você observa abismado que o preço do anel caiu para R$ 500,00.

Aquele contrato que está em seu bolso e o fez gastar R$ 5,00 para tê-lo, lhe dá o direito de comprar o anel por R$ 1.000,00. Quem usaria um direito de comprar mais caro? Você o amassa e joga na lixeira mais próxima, pois não faz sentido exercer um direito como esse.

Compra o anel por R$ 500,00 economizando uma bolada. O valor total gasto foi de R$ 505,00, ou seja, um ótimo negócio. Mesmo tendo gasto R$ 5,00 antecipadamente e não usando o contrato verde-amarelo, a situação saiu melhor do que o esperado.

Num terceiro cenário, o preço não teria variado e o anel continuaria custando R$ 1.000,00. Você pagou 5 reais por aquele contrato, um valor pequeno comparado ao preço total. Contudo, exercer ou não seu direito de compra a R$ 1.000,00 já não faz muito sentido. O anel sairia pelo mesmo preço utilizando ou não o contrato.

No mercado financeiro

Esse exemplo ilustra a negociação de Opções no mercado financeiro com fins de proteção, ou seja, resguardar seu patrimônio caso aconteçam variações no cenário econômico. Essa finalidade é conhecida como Hedge.

Percebemos que o contrato verde-amarelo derivou da existência um ativo, o anel. Daí o nome: Derivativo.

Como esse contrato deu a opção de comprar um anel, em uma data pré-acordada e obrigou o vendedor a vendê-lo pelo preço estipulado em contrato, as folhas verde-amarelas eram uma Opção de Compra. Uma opção de compra é chamada no mercado de “Call”.

As opções são derivativos, uma vez que estão atreladas e derivam de um ativo que pode ser físico – ouro, café, boi – ou financeiro – ações, taxas de juros.

O preço fixado de R$ 1.000,00 que foi exercido na prática é chamado de Strike.

Os R$ 5,00 que foram gastos para adquirir o direito de compra são chamados de Prêmio.

 A segurança necessária

Se você já contratou um seguro de carro, já teve contato com uma espécie de derivativo.

No caso de exportadores, flutuações cambiais ou mesmo o clima podem alterar o preço de venda dos produtos. Dessa forma, é interessante ter um contrato que lhe dê a opção de venda do ativo por um preço pré-determinado em uma data futura.

O nome dessa opção de venda é Put e funciona de maneira análoga.

É definido um preço de exercício onde o detentor da Put tem o direito de vender seu ativo ao preço fixado. Quem emitiu essa Put tem a obrigação de comprar o ativo na data acordada, caso o “contrato” seja exercido.

A métrica do sucesso no mercado financeiro, por muitas vezes, está ligada à capacidade de se evitar fracassos e obter retornos favoráveis de forma consistente. As opções, se usadas com a finalidade de proteção, são grandes aliadas.

O potencial de especulação

Podemos perceber o benefício de proteção das Opções; por outro lado, elas também podem ser usadas com finalidades especulativas.

Vamos voltar à analogia da compra do anel de ouro, considerando a primeira situação, em que o anel aumentou seu valor.

Imagine que seu amigo, dois dias antes da visita à loja, perceba que é um ótimo negócio ter esses contratos verde-amarelos e se interessa pela situação

Nesses dois dias, o preço do ouro pode variar, mas o risco dessa operação é menor do que há uma semana, já que agora faltam somente dois dias para exercer minha opção de compra e a situação já está em clima favorável.

Este amigo lhe propõe comprar os papéis verde-amarelos e tomar o risco de variação do ouro nesses 2 dias restantes até a volta à loja. Você que comprou os papéis por R$ 5,00 lá atrás, agora só aceita vendê-los por R$ 10,00 – m lucro de 100%.

Seus papéis tiveram uma valorização de 100% mesmo que o anel não tenha ficado 100% mais caro. Note a importância do prazo até a execução do contrato. Quanto mais perto da data, menor é o risco atrelado, pois é possível vislumbrar melhor o que acontecerá dentro de 2 dias do que o que acontecerá daqui há 2 anos.

Dessa forma, acontece com o mercado de opções. Calls e Puts podem apresentar variações muito superiores ao ativo do qual são derivadas e estão atreladas.

Especuladores podem apostar em Opções com um custo relativamente baixo, adquirindo um grande número delas, apostando em uma variação pouco provável no ativo objeto, mas que, caso concretizada, resultará numa grande valorização das Opções. Da mesma forma, se a previsão for errada nessas operações especulativas, os prejuízos podem ser bem altos.

A ponta do iceberg

Como vimos, as Opções são ativos financeiros que possibilitam o controle de alguns riscos associados ao mercado e proporcionam alavancagem aos investidores mais experientes.

Esses derivativos podem ser usados para reduzir perdas, proteger ganhos e controlar grandes quantidades de ações com um gasto relativamente pequeno.

Nesse artigo, você viu os conceitos principais do assunto e agora consegue se aprofundar na vasta quantidade de operações estruturadas com Opções e nas várias formas de aplicá-las no mercado.

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*Davi Lelis: Engenheiro Civil pela UnB. Investidor profissional e assessor de investimentos.

 

 

 

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