Opções: visão geral de um espectador

Por Pedro Lang – Economista

Mercado em alta é sinônimo de euforia que, por sua vez, anda lado a lado com a ganância.

Aqui na mesa, temos o privilégio de observar o comportamento dos investidores durante os diferentes momentos de mercado e, a partir dessa amostragem, sinto-me confortável em dizer:

– Ninguém compra PUT em mercado de alta;

– Ninguém compra CALL em mercado de baixa.

O que me leva a escrever esse texto não é o comportamento em si, mas a falta de preparo do investidor médio que procura o mercado de derivativos em busca de uma resposta rápida para um problema que não foi criado ali.

As pessoas buscam o mercado de derivativos pelos mesmos motivos errados e no tamanho errado.

Mas e como a sardinhada opera opções?

  • Estratégia do pozinho;
  • Compra e venda secas de call e put (vendas geralmente sem lastro);
  • Travas de linha (tantas opções que nem sei descrever).

Como o institucional opera?

  • Fazendo hedge de posições do book (compra de put ou venda de call para posições long e venda de put e compra de call para posições vendidas). Nesse caso, procura-se o sell side e grandes mesas de BTC para zerar as pontas soltas do portfólio;
  • Trocando posições compradas por calls e trocando posições vendidas por put (nos dois casos compradas).

Percebam que a forma dos grandes investidores operarem é praticamente o oposto do que o que as pessoas físicas fazem. Gosto de lembrar a todos os nossos clientes que toda vez que eles operam uma opção, seja na compra, quanto na venda, – principalmente as puts – eles estão dando liquidez para algum fundo ou Market maker.

Dicas para operar opções

  1. A primeira dica não poderia ser mais hipócrita, não aceite nenhuma dica, estude, aprenda e tome suas próprias decisões;
  2. Não faça algo que não consiga entender totalmente o desenho dos payoffs e resultados possíveis da sua operação;
  3. Nunca deixe pontas soltas para as operações que faz sem cobertura de ativo. Ex.: quando vender uma put fora do dinheiro, tente comprar uma outra put abaixo, mesmo que bem longe, para evitar que sua perda seja “infinita”;
  4. Fuja de operações com relação Risco X Retorno do tipo: comer como um passarinho e cagar como um elefante. Não tenha chance de ganhar pouco e perder muito. Acredite, isso não é óbvio;
  5. Todas as vezes que no book de ofertas vocês perceberem a mesma corretora comprando e vendendo as mesmas quantidades em preços diferentes, fiquem atentos que há um Market maker operando naquele papel. Identificado o Market maker perceba que o preço “justo” para aquele ativo será alguma coisa entre esses dois preços. Evite agredir a pedra;
  6. Tente sempre pensar em opções como parte de sua alocação, se quiser especular não passe de 1% dos seus investimentos;
  7. Construa estruturas de alocação como,
  • Fence (proteção)
  • Collar (compra de ação com capital protegido)
  • Risk e Seagul (exposição a um papel sem ter $ investido)

Os desenhos e os objetivos de cada uma dessas operações são facilmente encontrados na internet.

Dica Bônus: “Opções, Futuros e Outros Derivativos”, de John Hull. Se você ler esse livro, saberá tanto quanto qualquer guru da internet.

Pedro Lang

*Economista

Chefe da mesa de renda variável da Valor e especialista em Valuation pela Saint Paul Escola de Negócios

e-mail: pedro.lang@valorinvestimentos.com.br

 

 

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