Os juros caíram. E os meus investimentos com isso?

Por Thiago Goulart

Os juros caíram no Brasil e tendem a cair mais. Essa é a nova realidade desde 2017, quando a taxa básica de juros (Selic) voltou a ter apenas um dígito. O fato é que todo investidor e mesmo aqueles que ainda não investem devem estar atentos a essa taxa divulgada pelo Banco Central (BC), definida a partir da reunião do Copom (Comitê de política Monetária).

Veja, por exemplo, o gráfico do BC e os cortes de juros dos últimos 12 meses:

A explicação para isso é que o Brasil vivencia um momento transformacional em relação à forma de investir. Nos acostumamos, durante muito tempo, a fazer aplicações em produtos financeiros com características de Renda Fixa. Este conforto, no entanto, não faz mais sentido nos dias de hoje, uma vez que esses investimentos estão atrelados à referida taxa básica de juros.

Para termos uma ideia, a Selic chegou ao menor percentual desde 1999, quando começou o regime de metas para a inflação. Outro fator importante, é que o atual ciclo de redução dos juros começou em julho deste ano (2019).

Mas, antes, vamos explicar desde o princípio, como se conecta a inflação com a taxa Selic e alguns conceitos básicos de economia como a lei da oferta e da procura. Por último, iremos alinhar os impactos causados por essas variáveis econômicas nos investimentos.

Vamos lá?

Primeiro: a taxa Selic serve, antes de tudo, para termos a referência em boa parte do que fazemos comumente: empréstimos, financiamentos ou investimentos. Mesmo aqueles que permanecem com dinheiro na poupança sofrem diretamente o impacto via baixíssima rentabilidade anual.

Este artigo pretende discorrer de forma concisa sobre as mudanças na maneira de se investir, já que neste momento os juros estão em sua mínima histórica e também alguns conceitos básicos de economia.

Boa leitura!

Ninguém gosta de inflação alta

Quando ouvimos dizer que a inflação está em alta logo sentimos no bolso esta consequência, ou seja, a inflação corrói o poder de compra das pessoas. Ninguém gosta de inflação alta. A primeira relação que fazemos é instantânea: inflação está atrelada ao aumento dos preços desde os produtos mais cotidianos que consumimos aos mais sofisticados.

A inflação também está ligada ao nosso poder de compra, ou seja, o quanto podemos consumir sem que o salário seja corroído. Uma vez que a inflação esteja em alta, isso prejudica a nossa referência do que está caro ou barato.

É justamente por isso que o governo procura manter a inflação sob controle por meio de um sistema denominado Meta de Inflação. O sistema prevê ainda um intervalo de tolerância.

Segundo o Banco Central, nos últimos anos o Conselho Monetário Nacional (CMN) tem definido um intervalo de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima e para baixo. Por exemplo, no caso de 2020, a meta é de 4,00% e o intervalo é de 2,50% a 5,50%.

Se a inflação ao final do ano se situar fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC tem de divulgar publicamente as razões do descumprimento, por meio de carta aberta ao Ministro da Fazenda, presidente do CMN, contendo descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

A expectativa de inflação do mercado para 2019 segue abaixo da meta central, de 4,25%.  O intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

Veja o gráfico abaixo disponibilizado pelo Banco Central, no acumulado dos últimos 12 meses, cuja inflação se encontra em 2,89%:

Para 2020, o mercado financeiro baixou a estimativa de inflação de 3,66% para 3,60%. Foi a quinta queda consecutiva do indicador. No próximo ano a meta central de inflação é de 4% e terá sido oficialmente cumprida se o IPCA oscilar entre 2,5% e 5,5%.

Entendendo alguns conceitos: lei da oferta e da procura

Um conceito fundamental e básico da economia é a chamada Lei da Oferta e da Procura. Essas duas palavras nos ajudam a compreender o conceito de inflação.

Exemplo: se muitas pessoas desejam comprar um produto, é natural que o preço suba, ou seja, quanto maior for a procura por algo, maior será o preço ofertado.

Dessa forma, se a economia de um país está crescendo, com baixo índice de desemprego e ganhos de renda dos trabalhadores, os preços tendem naturalmente a subir. Por outro lado, se a economia vai

mal e muitas pessoas param de comprar, apertando o orçamento, os preços tendem a cair ou ficar estáveis.

É sob essas considerações que o governo atua com o fim de controlar a inflação. Assim, a taxa básica de juros (Selic) nos indica quais são as sinalizações emitidas pelo Banco Central.

Veja a imagem ao lado que sintetiza a subida ou a redução da taxa de juros.

Diante disso, é bom lembrar que o Brasil passou por um momento de enorme crise. E, pelo exemplo mencionado anteriormente, a sinalização do Banco Central em baixar os juros, torna-se essencial para ajustar os indicadores da economia. Este é um passo muito relevante para estimular a confiança dos agentes econômicos e da população.

E os meus investimentos com isso?

Já deu para perceber que os juros mais baixos são bons para a nossa vida. Além disso, inflação em queda gera impactos em nossos investimentos a depender do produto financeiro que estamos posicionados.

Agora, vamos listar alguns desses impactos:

  1. Inflação sob controle significa que o crédito ficará um pouco mais barato;
  2. Juros mais baixos possibilita maior alívio à vida das empresas, que podem investir mais, ajudando o país a sair de vez da crise;
  3. Para uma parte dos investimentos que estão atrelados à taxa Selic significa rendimento menor;
  4. Por outro lado, existem produtos que podem render muito mais e que estão atrelados a outros benchmarks.

Dentro dessa perspectiva de juros baixos, os investidores devem ficar atentos e aprender a tomar risco caso desejem que suas aplicações rendam mais.

Recentemente a taxa Selic atingiu o patamar mais baixo de sua história (5%) e, pela visão de analistas do mercado e economistas, a tendência futura é ainda de maior queda, podendo chegar aos 4%.

Seria interessante, dessa forma, explorarmos mais os itens 3 e 4, apresentando os reflexos da baixa de juros em duas modalidades de investimentos: Renda Fixa e Renda Variável.

Renda Fixa

. Poupança

Entendendo que a poupança rende 70% da Selic, ela passará a trazer retornos cada vez mais pífios.

. Títulos Públicos

O investidor mais conservador pode encontrar algo em títulos públicos mais rentáveis que os atrelados à Selic, como os prefixados (Tesouro prefixado) ou indexados à inflação (Tesouro IPCA, antiga NTN-B). Já os pós-fixados, como o Tesouro Selic e os Fundos DI, apesar de renderem menos, servem para ser uma reserva de emergência, uma vez que, em geral, possuem liquidez diária.

. Debêntures

Uma boa aposta com a redução dos juros pode ser em ativos – debêntures incentivadas –  que têm rendimentos isentos de Imposto de Renda, como Fundos de Debêntures (títulos emitidos por empresas), na Renda Fixa, pois, apesar de serem títulos de Renda Fixa, normalmente são atreladas à inflação (IPCA), garantindo um juros real (acima da inflação).

Renda Variável

. Fundos Imobiliários

Isentos de Imposto de Renda, são considerados, para quem nunca investiu em Renda Variável, um primeiro passo para investir em ações, gerando rendimentos mensais a títulos de “aluguel” de imóveis reais de alto padrão (prédios corporativos, hospitais, galpões logísticos, entre outros).

. Fundos de Ações ou Multimercados

O investidor que não conhece bem o funcionamento da Bolsa de Valores deve começar suas aplicações por meio de um Fundo de Ações, que possui um gestor que monta a carteira. Há ainda os Fundos Multimercados, com maior flexibilidade por poder investir em vários produtos ao mesmo tempo.

. Ações em Bolsa

A Bolsa ainda ganha mais atratividade com a queda da rentabilidade de outros produtos. Em função de boas perspectivas para a economia, como a aprovação da reforma da Previdência, o Ibovespa tende a subir mais, o que aumenta o valor de muitas empresas. Ações de bancos, empresas varejistas e de infraestrutura são as principais recomendações.

Diversificar sempre!

Tornou-se um clichê entre os investidores, mas é sempre bom relembrar: diversificar seu dinheiro é a regra de ouro no mundo das finanças. Assim, no percurso em busca de mais retorno, você deve evitar alocar todos os seus recursos em um único produto financeiro, diminuindo seus riscos e aumento sua rentabilidade.

Dê um passo de cada vez e lembre-se que para cada objetivo há uma recomendação. Peça ajuda a um assessor de investimentos se estiver em dúvidas antes de tomar qualquer decisão.

É perceptível que a mudança da taxa Selic impacta muito a economia, tendo reflexo direto sobre o consumo, sobre a inflação e sobre os seus investimentos. Saiba que, cada vez mais, suas escolhas terão de ser cautelosas e eficientes para rentabilizar mais os investimentos de forma inteligente e segura.

 

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