Tulipas e as primeiras bolhas econômicas do mundo

As tulipas são originárias da Turquia. O que não se esperava era que caíssem com o tempo no gosto de nobres europeus desejosos em enfeitar os vastos jardins de suas habitações e cercanias. Observando isso, os holandeses com faro para o dinheiro começaram a plantar tulipas também. Foi aí que começou uma das primeiras bolhas econômicas do mundo.

As tulipas já estavam valorizadas na Europa. No entanto, em um dado momento apareceu uma praga prejudicial à planta, deixando-as mais fracas, além danificar a pigmentação. Por outro lado, tal “danificação” fez com que sua aparência ficasse com um aspecto mais bonito, estimulando cada vez mais seu comércio. Justamente pelo fato de o vírus não atacar todas as tulipas é que as tulipas acometidas se tornaram um tipo raro, apelidadas de Semper Augustu, elevando o seu valor de mercado, cujo comércio, em 1964, chegou a ser equivalente a R$ 200 mil, nos dias atuais, por um único botão.

Com a recrudescimento da subida de preços, deixou de fazer sentido vendê-las apenas na primavera, momento pelo qual os bulbos floresciam. Dessa forma, passaram a vender o próprio bulbo sem a flor e o cliente aguardaria seu surgimento nos jardins. Esta foi uma ótima forma de captar dinheiro.

Por meio da alta de preço e venda de expectativa, os especuladores entraram em cena e passaram a comprar contratos que lhe davam direito aos bulbos, ou seja, antes mesmo de receberem, os bulbos eram vendidos por preços mais caros a outros especuladores que tornavam a vende-los ainda mais caro a outros especuladores. Comprava-se pela manhã e, antes mesmo do fim do dia, vendia-se com lucro. Este era o famoso day trade atual.

Para piorar as pessoas começaram a alavancar os preços, ou seja, pegar emprestado para fazer mais compra de títulos de tulipas, a fim de vender mais caro. A partir das incríveis valorizações, a Semper Augustu chegou a uma valorização de 300% e a Gouda, tipo mais comum, 1.125%.

O objetivo final da tulipa que era enfeitar os jardins dos castelos europeus se perdeu completamente. Assim, o que era bonito e esteticamente belo, ficou impossível de ser comprado por alguém que só a queria como um enfeite. Os consumidores finais passaram a não se interessar mais. Somado a isso uma série de fraudes foram constatadas: houve emissão de mais títulos do que bulbos plantados, ou seja, contratos sem o ativo físico.

Quando descoberto, os títulos passaram a não ter mais validade. O dinheiro estava acabando e quem tinha a posse dos títulos havia pago preços muito altos. Por fim, todos correram para vender seus contratos de tulipa e, com isso, o mercado desabou.

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