Valor Investimentos mira em dois anos atingir a meta de R$ 10 bi

Logo no início da entrevista no escritório da Valor Investimentos, Guilherme Benchimol, CEO e fundador do Grupo XP, deixou claro:

O motivo de ter vindo aqui é chancelar o grande sonho da Valor Investimentos em se transformar, nos próximos dois anos, a maior empresa de investimentos do Espírito Santo.

Benchimol participou das comemorações de 15 anos da Valor Investimentos e comentou sobre a mudança de cultura dos investidores brasileiros e a atenção que a nova seguradora da XP dispensará à Previdência.

Valor – Parece que, hoje, começa a haver um movimento de mudança cultural dos brasileiros em relação às aplicações financeiras em bancos. Como o senhor tem observado essa maior atenção dos brasileiros ao mercado financeiro?

Guilherme Benchimol – Realmente tem ocorrido gradativamente essa mudança de cultura. Desde o Plano Real, o CDI (Certificados de Depósito Interbancário) médio no Brasil é de 14% nos últimos 25 anos. Temos uma composição quase única no mundo de alta rentabilidade, alta liquidez e baixo risco.

Isso gerou um tipo de investidor conformado em suas aplicações financeiras com dinheiro depositado em bancos, ou seja, acomodado em buscar alternativas. A principal força motriz que faz a cultura de investimento mudar é o ambiente em que o cliente está inserido.

Se o ambiente muda a ponto do cliente se preocupar com taxa, assessoria ou longo prazo, esse mesmo cliente começa a pensar diferente.

Então, se os juros permanecerem a 6,5% como tem acontecido, as pessoas têm que começar a pensar a longo prazo, obrigando-se a mudar sua forma de pensamento.

E quem pode fazer essa mudança somos nós, as corretoras de investimentos. A Valor e a XP Investimentos são referências em oferecer os melhores produtos financeiros.

Valor – Os produtos financeiros oferecidos pelas corretoras têm enorme potencial vis-à-vis o que o senhor mencionou anteriormente. Qual a perspectiva de crescimento da intermediação financeira no Brasil?

Guilherme Benchimol – Esse é um discurso clássico que eu faço. Se comparado com outros países, o Brasil é o mais bancarizado do mundo. 94% da poupança brasileira está dentro dos bancos. Hoje, por exemplo, são R$ 5,5 trilhões de liquidez no sistema. No entanto, são só R$ 300 bilhões fora deles.

Se trouxermos para a realidade capixaba isso também não mudará muito, mas tenho certeza que na Valor Investimentos essas pessoas investiriam melhor. Vou pegar a própria Valor como exemplo. Na verdade, ela possui um único negócio somente, ou seja, ajudar o capixaba a investir melhor seu dinheiro.

A missão da Valor é buscar o que há de melhor no mercado, ajudando o cliente a comprar aquilo que ele precisa, sem nenhum tipo de custo fixo.

Valor – Ficou conhecido, em entrevista que o senhor concedeu ao jornal Valor Econômico, o voo solo que o Grupo XP tem em vista uma nova seguradora.

Guilherme Benchimol – Somos uma corretora de seguros hoje em dia e vendemos algumas marcas, como a Icatu, SulAmérica, Mapfre etc. Por ser uma corretora, acabamos não dominando a “cozinha do processo”, o back office.

A vontade de comprar uma seguradora é ter mais domínio sobre a estrutura da operação, a fim de oferecê-la de forma mais inteligente. É nesse sentido que estamos de olho na Previdência. A XP tem, hoje, por volta de R$ 8 bilhões, num universo de quase R$ 800 bi e é esse o produto que temos o menor market share.

A Valor, por exemplo, é destaque de captação em Previdência no estado. Nossa meta de R$ 1 trilhão para 2020 e R$ 10 bi da Valor torna esse produto muito relevante para o nosso escopo.

É por isso que vem a seguradora, ou seja, para facilitar a vida do cliente, a experiência do parceiro e assim por diante. É por isso também que, além das metas, a Valor mira ser a maior empresa de investimentos do Espírito Santo.

Valor – A partir do conceito partnership e do modelo meritocrático, como o senhor acha que os parceiros envolvidos podem trilhar o mesmo caminho de sucesso da XP?

Guilherme Benchimol – Somos uma empresa de serviços. Nesse sentido, tivemos de criar um conceito e, para isso, é preciso que as pessoas estejam engajadas. Um conceito é feito por pessoas.

Almejar construir um ambiente meritocrático, onde os padrões de eficiência sejam valorizados e que, cada vez mais, as pessoas consigam atingir suas metas, por meio da partnership é a maneira que eu aprendi que gera mais resultado. Eu acredito que a Valor está avançando bastante nessa direção.

Hoje, na XP, temos uma partnership que possui 30 sócios e 350 associados. Se a empresa é somente minha, eu não tenho as pessoas sentadas na minha cadeira, sentindo as minhas dores. Assim, se eu crio uma empresa com outra pessoa e se o meu sonho torna-se o nosso sonho, todos nós começamos a vestir a mesma camisa, gerando uma energia diferente para buscar soluções.

O modelo de transformar os executivos em sócios quando está tudo alinhado em uma mesma direção, creio, então, que seja o melhor formato que já vi sendo colocado em prática.

Valor – Qual é a sua visão deste modelo de negócios nos próximos 5 anos?

Guilherme Benchimol – Cada escritório ou empresa ligado à XP tem sua independência e cada um tem a sua maneiro de encarar a partnership. Mas certamente, a quantidade de novos empreendedores que vão entrar no circuito é muito grande diante do número de gerentes que existem no Brasil.

Hoje, são aproximadamente 50 mil gerentes que possuem CPA-20, ou seja, profissionais que atuam na distribuição de produtos financeiros. Acredito que estas pessoas não estão felizes. Não sei qual gerente de banco que esteja feliz no atual momento.

Existe uma vantagem de estar no banco com o salário definido e benefícios que trazem certo comodismo. No entanto, não há o trabalho de ajudar o cliente a investir seu dinheiro.

O que a Valor Investimentos faz, por exemplo, é completamente diferente, pois o cliente tem opções de qualidade para aplicar o dinheiro em produtos com boa rentabilidade. Assim, os dois lados se tornam fortes.

Enfim, vejo muitos desses gerentes saindo dos bancos e se juntando à Valor ou, até mesmo, montando seu próprio escritório, mas sem dúvida nenhuma ter operações robustas como as da Valor, acabam atraindo muito mais pessoas, já que ser empreendedor não é uma coisa trivial.

Valor – Por fim, gostaria de fazer uma pergunta com um viés mais subjetivo: qual o conselho que você daria para empresas como a Valor Investimentos?

Guilherme Benchimol – O conselho que eu daria é ter um grande sonho, construir um plano que torne esse sonho possível. Isso somente será palpável no momento em que você está completamente focado na entrega desse projeto.

A vida fica mais divertida se existe uma causa por trás e ter algo com que lhe faça acordar com um frio na barriga é realmente uma energia diferente.

Depois de um tempo em que você conseguiu transformar aquele projeto que aparentemente era impossível em algo concreto, isso se torna algo muito forte e gostoso na sua vida.

Um comentário em “Valor Investimentos mira em dois anos atingir a meta de R$ 10 bi

  • 28 de dezembro de 2018 em 18:08
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    Pra mim a última resposta foi o q mais me chamou atenção. Motivação com uma dose de “friozinno na barriga” é muito desafiador.
    Parabéns pela entrevista. Muito boa.

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