Você já conversou sobre investimentos com seus filhos?

Por Romulo Nunes e Thiago Goulart

Apesar do Dia das crianças ser um marco do mundo infantil, também podemos dizer que pode ser um start para a aprendizagem na educação financeira. E uma coisa que muitos pais se perguntam é: qual será o presente que meus filhos irão ganhar este ano?

Na verdade, é sempre importante estarmos antenados com a educação financeira de nossos filhos. Conversar sobre isso e com certa frequência é fundamental para que a criança possa de desenvolver na sua relação com o dinheiro.

De simples presente ao diálogo sobre finanças. Caso colocássemos um leque de opções para as crianças, muitas delas escolheriam os presentes de forma aleatória. Porém, os pais podem e devem levar alguns ensinamentos a partir do dinheiro e ensiná-los a refletir sobre isso.

É, neste sentido, que o presente artigo vai se debruçar. Como abordar esse tema com seus filhos presenteando-os de forma em que os pais possam transmitir ensinamentos com a finalidade fazer a diferença na maneira como os filhos lidam com o dinheiro.

Boa leitura!!

O DILEMA DO PRESENTE

Certamente o Dia das Crianças é um dia especial. Mas tratar desse assunto somente neste dia, não basta. Pais de primeira viagem ou já vivenciados na experiência de terem mais de um filho, sentem muitas vezes a necessidade de presentear os filhos de uma forma carinhosa e que possa lhes marcar na lembrança.

É justamente nesse momento que podem surgir alguns dilemas:

Presentear o filho ou a filha com algum brinquedo que, logo após poucas semanas, poderá ser esquecido ou deixado de lado?

Ou presenteá-los por meio de algum ensinamento em que podem marcar em suas memórias e, quem sabe, influenciá-las para o resto da vida?

Ou unir os dois?

A segunda opção perece ser interessante quando pensamos em finanças e as consequências dessa aprendizagem futuramente.

CULTURA DA FAMÍLIA BRASILEIRA

Lidar com dinheiro é uma arte difícil? E se aprendêssemos desde criança. E se nossos pais nos educassem financeiramente?

Podemos afirmar que, culturalmente, este papo não costuma rolar na infância. Esta é, na verdade, a realidade de muitas famílias brasileiras. Nesse sentido, dentre as opções acima, é muito provável que muitos pais respondam a primeira opção.

No entanto, em outros países, a disseminação do uso do dinheiro é tratada de forma natural desde a fase inicial da vida. Neste caso, a segunda resposta tende a ser respondida na maioria dos casos.

Em países mais desenvolvidos, o processo cultural em lidar com educação financeira está tão arraigado na sociedade que muitos pais compram, por exemplo, ações para presentar os filhos em datas comemorativas:

. Aniversário;

. Dia das crianças;

. Formaturas;

. 18 anos.

MUDANÇA CULTURAL?

Por outro lado, no Brasil, esta prática ainda está longe de acontecer. Prova disso, é que a bolsa brasileira, em setembro deste ano (2019), registrou exatamente 1.441.874 de investidores, o que corresponde a aproximadamente 0,7% da população brasileira.

Desse total, aproximadamente 2500 investidores possuem de 0 a 15 anos.

No hemisfério norte, a título de comparação, perdemos de lavada. Mais da metade da população americana investe em ações.

Está nítido, neste caso, que alguma coisa precisa mudar. E, apesar do pequeno aumento de investidores na Bolsa brasileira, sabemos que ainda é preciso maior engajamento da sociedade.

Assim, essa mudança precisa acontecer não somente na faixa etária mais velha da população, mas sim, a partir dos mais novos: filhos, netos e bisnetos.

Fonte: B3

A FORMAÇÃO FINANCEIRA DOS FILHOS COMEÇA EM CASA

Uma pergunta importante para se fazer é: como podemos agir para dar uma boa educação financeira aos nossos filhos?

Podemos responder, neste primeiro momento, que o diálogo paciente e prático pode funcionar ao longo do tempo:

. Dicas do cotidiano financeiro, como compras, troco, parcelas etc.;

. Assimilar, na prática, o conceito de poupar;

. Desenvolver o conceito de investimento;

. Observar o perfil, imediatista ou não dos filhos;

. Incentivar reflexões que demandem ações de longo prazo também são importantes.

ALGUMAS DICAS

A partir de agora, iremos comentar algumas dicas que achamos interessantes para inserir a educação financeira às crianças.

Essas dicas podem fazer a diferença no futuro dos filhos. Aqui, a intenção é criar uma reflexão sobre o assunto e tentar disseminar algumas maneiras práticas e fácil o entendimento sobre dinheiro aos nossos herdeiros.

1.    PERCEPÇÃO DE TEMPO

Começaremos com a percepção do tempo.

Essa variável é diferente para as crianças em relação aos adultos. Assim, remunerá-las mensalmente pode gerar resultados frustrantes.

Quando estamos envolvidos – nós, adultos – em uma intensa rotina diária, um mês passa muito rápido. No entanto, para crianças, esse período é muito mais longo. Talvez, seja necessário, por exemplo, remunerá-las semanalmente e aplicar então a famosa “semanada”.

2.    “SEMANADA”

A “Semanada” seria um valor bruto estipulado previamente. Contudo, precisamos descontar alguns “impostos” que são típicos da vida brasileira. A simulação deve ser a mais semelhante possível à vida real.

Somente dessa forma, nossos filhos irão crescer com a ciência de que nem tudo que ganhamos realmente vai para o nosso bolso.

Para começar, podemos remunerar, por exemplo, com a quantia de R$ 30,00, sendo que R$5,00 serão retidos em razão dos “impostos” ou “taxas”.

Claro que os filhos vão ficar chateados e falar que isso é uma injustiça. No entanto, o mundo não é tão justo quanto quereríamos que o fosse. De qualquer forma, assim as crianças estarão educadas para aceitar essa condição no futuro.

3.    METAS DE TRABALHOS DOMÉSTICOS

Outro ponto importante é estabelecer metas de afazeres domésticos. Uma vez concluídos esses objetivos, é interessante acrescentar uma espécie de bônus nessa remuneração.

Logo, criarão uma percepção que quanto mais se trabalha, maior será seu ganho.

Após esses passos, entraremos em um ponto que julgamos ser o mais importante.

4.    INVESTIMENTO: PONTO POSITIVO

Crie e ofereça aos pequenos um investimento como ponto positivo, ou seja, algo  que renda em torno de 10% ao mês – isso mesmo, aplique uma taxa de rentabilidade alta para gerar um bom impacto nesse investimento e despertar a real percepção de que investir faz o dinheiro aumentar.

Dessa maneira, ele irá perceber que, ao investir seu dinheiro e deixá-lo aplicado por algum tempo, terá um retorno maior do que quando colocou.

Com isso, esperamos que eles realmente percebam a importância dos investimentos e que, futuramente, ficarão mais dispostos a criar esse hábito com mais facilidade.

Fornecendo estímulos como esse, o entendimento sobre ganhar dinheiro via investimento virá de uma maneira mais natural.

5.    EMPRÉSTIMO: PONTO NEGATIVO

Sabemos, por outro lado, que nem tudo na vida não são flores.

Se você, como pai ou mãe, ofereceu um investimento que remunere 10% ao mês, oferte, por outro viés, uma linha de crédito com 20% de juros mensais.

Assim, quando for pagar a “Semanada” desconte essa taxa do valor e eduque os filhos para que inconscientemente aprendam que pegar empréstimos a juros altos, não é uma prática saudável.

Ao longo do tempo, essas crianças já estarão acostumadas com o pensamento de que investir é algo bom e pegar empréstimos é algo ruim.

6.    MUDANDO AS FASES

O tempo passa. Os filhos crescem. Mudam-se os gostos, mas a aprendizagem fica retida em nossos processos cognitivos.

Assim, provavelmente os pais precisarão aumentar também a receita, já que R$30,00 reais para uma criança, apesar de ser um valor razoável, para um adolescente já não é tão atraente.

Bem provável que não consiga pagar uma entrada em um cinema, por exemplo.

Não aumentando o valor, é possível observar e ensinar outro conceito importante: a inflação. Neste caso, a inflação comerá essa “semanada”, ficando a dica sobre o porquê disso acontecer e aproveite mais uma vez para estimular a prática do investimento para a proteção do capital adquirido.

7.    UM JOVEM EMPREENDEDOR

Quando essa criança começar a ficar jovem, estimule-o também ao empreendedorismo. Além disso, todo o valor que ela receber desse empreendimento não cobre impostos tão altos.

Dessa forma, na maioria das vezes, esses indivíduos estarão propícios a entender que empreender é uma virtude.

Dê algumas ideias, algo que elas possam vender na escola, no bairro, na família. Alguns terão preconceito dessa maneira de ensinar, mas a maneira correta de pensar é que estarão ensinando seus filhos a trabalhar, empreender e não desistir.

INVESTINDO COMO GENTE GRANDE

Depois das sete dicas, é hora de começar a investir como gente grande.

Você sabia que é possível pessoas de menor idade abrir conta em corretoras?

Esta é a próxima fase. Assim, é muito importante acompanhar este processo junto aos filhos, ajudando-os a investir em produtos oferecidos pelo mercado. Dessa maneira, logo-logo estarão familiarizados com todas as formas de investimentos.

A melhor e talvez a maneira mais fácil de ensinar algo para as crianças e jovens é dando o exemplo. Não adianta passar por todos esses processos com os seus filhos, se você não cumprir o que ensinou.

Assim, do que adianta ouvir ensinamentos sobre ações, por exemplo, de uma pessoa que nunca investiu na bolsa?

Então, mostre na prática que você também faz e concorda com todos esses passos que comentamos acima.

EXEMPLOS CORRETOS

Outra dica importante é: comece desde cedo a investir em uma Previdência Privada para o seu filho.

Imagine, uma Previdência realizada desde o nascimento da criança. Assim, quando ela fizer 18 anos, explique que ao longo desse tempo de ensinamentos, você também cumpriu deu dever.

O dinheiro disponível ao longo de 18 anos na Previdência pode servir de mote para explicar os investimentos de longo prazo, cujo resultado de investimentos foi realizado ao longo de toda vida infantil.

Tente realizar esses passos da maneira mais didática possível, trabalhando o lado lúdico das crianças. Sabemos que inserir hábitos logo cedo, na fase infantil, dificilmente esses costumes serão perdidos no futuro.

Para simplificar, veja o gráfico abaixo e leia a seguinte situação:

Imagine uma aplicação inicial de R$ 5.000 em um fundo de Previdência de Renda Fixa que rendesse 100% do CDI, com uma taxa de 5,5% ao ano.

Se a partir do segundo mês, você fizer aportes mensais de R$ 100, durante 18 anos, ao final desse período você teria um valor de R$ 49.267.

Gráfico de rentabilidade Previdência Privada

 

Este resultado pode ter como consequência um intercâmbio, o pagamento de uma faculdade ou, até mesmo, um preparo para a própria aposentadoria.

Quem sabe seu filho crescerá com bons hábitos financeiros e, dessa maneira, poderá trabalhar com o que gosta, mesmo que não ganhe muito. No entanto, com a educação adquirida, ele conquistará a independência financeira mais cedo que a média de nosso país, além de maior previsibilidade e segurança para sua vida.

Vamos começar a investir para seus filhos?

 

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